Saiaço da USP: Não é revolução quando você veste uma saia e fica imitando trejeitos femininos

Essa semana, todo mundo que tem o mínimo de envolvimento com feminismo ouviu falar no protesto que a alunos da USP organizaram após um estudante ser hostilizado na internet por ir à faculdade usando uma saia – linda, diga-se de passagem. A justificativa do protesto, segundo os organizadores, é estimular a discussão de papéis de gênero. Ótimo.

Bom, é agora que eu começo a nadar contra a corrente de elogios que li em várias páginas feministas. Eu não apoiaria esse protesto.

Calma, eu explico.

Não acho legal que o cara tenha sido ofendido por usar uma saia. Por favor, 2013 quase na metade e tem gente que fica nessa de roupa de homem/roupa de mulher.

Acho importante que homens usem saias e mulheres usem ternos como forma de ajudar a abolir o gênero.

Mas não vejo que a discussão de papéis de gênero virá enquanto os protestos sejam nos moldes:  Por um dia, vamos usar saia porque e coisa de mulher e as meninas usam gravata porque é coisa de homem. Esse tipo de ação reforça ainda mais os estereótipos relacionados ao gênero. Assim como vestir saia e ficar emulando comportamentos que a sociedade atribui a mulheres.

E vamos combinar que se o Danilo Gentili apóia o seu protesto, algo deve estar errado, hahaha.

Homens, usem saias. Mas usem porque vocês gostam de usar, porque são peças de roupas bonitas, porque usar saia faz parte de ser quem você é. Não use saia porque é roupa feminina e você quer se sentir subversivo. Idem para as mulheres e gravatas ou qualquer outro traje que a sociedade considera masculino.

Por fim, vamos a um pequeno choque de realidade:

Cenário: Homem usa saia e é ofendido.
Reação:  Que absurdo!!! Vamos logos nos mobilizar para defender este pobre homem!
Sai notícia no G1 e na Folha de S. Paulo.

Cenário: Mulher usa saia e é cantada, passada a mão, estuprada.
Reação: Ah, mas estava pedindo. Quem mandou sair com uma saia dessas na rua?