Por que não quero homens em espaços feministas

De segunda à sexta, acordo e saio para trabalhar.

No trajeto, tenho que me preocupar se não serei estuprada e se aquele homem com quem cruzo na rua não vai tentar alguma gracinha.

No ônibus, um senhor fica me encarando toda vez, porque ele deve achar completamente normal encarar mulheres. Não, ele não encara homens.

No trabalho, vou a uma reunião com clientes. Quando entro na sala sou elogiada por “deixar o ambiente mais bonito”. Afinal, estudei todos esses anos para ser enfeite de reuniões mesmo.

Voltando para casa, invariavelmente ouço alguma cantada. Uma vez, um rapaz achou que seria uma boa ideia pegar na minha bunda.

Chego em casa cansada e entro em um grupo ou página feminista na internet para discutir algum assunto ou bater papo. Quando eu reclamo sobre a atitude dos homens:

– Eu não sou assim!
– Nem todos os homens são assim!
– Você está exagerando!
– Sua histérica. Homens também tem medo de assaltos.
– O feminismo não pode excluir a nós, homens!
– Isso é falta de pinto!
– Sexismo contra homens!
– Mansplaining, mansplaining, male tears, what abou my feelings?

Rapaz, se você for realmente feminista, você entenderia a necessidade de espaços exclusivos e sairia sem reclamar caso fosse requisitado. Se você for um homem feminista de verdade, saberá a hora de calar-se. Do contrário, você é apenas mais um que se diz feminista para ficar bem com as mulheres mas que não consegue conceber a ideia de abrir mão de privilégios.

“Mas precisamos de homens como aliados!”

Não, obrigada.

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